“Empresas e famílias correm risco de ficar marcadas” se Portugal se isolar da Europa nas moratórias

O aviso é do ministro das Finanças, João Leão, que está a ser ouvido esta terça-feira no Parlamento. O ministro elogiou o facto de PS e PSD estarem de acordo na necessidade de seguir as orientações da Autoridade Bancária Europeia..

Se Portugal mantivesse as moratórias da banca para lá do que for definido no enquadramento europeu, “as empresas e as famílias correriam o risco de ficar marcadas”. O aviso é do ministro das Finanças, João Leão, que está a ser ouvido esta terça-feira, na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, na Assembleia da República.

“Tomar decisões fora do quadro da EBA [Autoridade Bancária Europeia] seria muito complicado para o país”, defendeu o ministro das Finanças, em resposta aos deputados do PS e do PSD. O governante frisou que tanto as famílias como as empresas poderiam ter depois mais dificuldade em aceder a financiamento. O mesmo poderia acontecer aos bancos, que “correriam o risco de ficar marcados e ter dificuldades”, vendo os seus rácios de capital afetados.

Elogiando o facto de tanto o PSD como o PS estarem de acordo com a necessidade de seguir o enquadramento europeu, o ministro assegurou que o Executivo está a “fazer um levantamento para perceber as implicações do fim das moratórias”, previsto para setembro.

Leão disse que “nos países onde já terminaram as coisas correram melhor do que se antecipava” e deu como resposta os instrumentos de capitalização que estão a ser disponibilizados às empresas. Além disso, somou, “será preciso perceber como recupera o turismo e alojamento no verão e em que condições chega a setembro para fazer face ao fim das moratórias”, disse ainda.

Mariana Mortágua, deputada do BE, levantou o problema das moratórias concedidas às famílias nos empréstimos à habitação, pedindo medidas para assegurar que não haverá em setembro “uma onda de despejos”. João Leão assegurou que o Governo está atento a esta questão e disse que esse é um problema que será acompanhado.

 

*Margarida Peixoto, Jornal de Negócios
Fonte: jornaldenegocios.pt